Mercado prevê inflação acima do teto da meta em 2011*

.

Por Silvio Cascione e Luciana Lopez

SÃO PAULO (Reuters) – Pela primeira vez neste ano, o relatório Focus do Banco Central mostrou que o mercado prevê o descumprimento da meta de inflação em 2011, em meio à forte alta recente do dólar.

O prognóstico para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2011 subiu de 6,46 por cento na semana anterior para 6,52 por cento, na sexta alta semanal consecutiva. A meta de inflação do governo é de 4,5 por cento ao ano, com 2 pontos percentuais de tolerância.

Se isso se confirmar, será a primeira vez desde 2003 que a alta dos preços no ano supera o limite da meta de inflação. Mesmo assim, os investidores apostavam na continuidade da queda da Selic, com baixa dos juros futuros na BM&FBovespa.

Caso a meta seja descumprida, o presidente do BC, Alexandre Tombini, será obrigado a justificar os motivos em carta aberta ao ministro da Fazenda, Guido Mantega.

No final de agosto, o BC surpreendeu o mercado ao interromper o processo de alta dos juros com um corte de 0,5 ponto percentual na Selic, a 12 por cento.

Semanas depois, a piora na crise da dívida da Europa ajudou a empurrar o dólar a 1,95 real, com uma valorização de cerca de 20 por cento desde o início do mês. Depois de o BC intervir no mercado futuro de câmbio, a moeda norte-americana diminuiu um pouco a alta acumulada e nesta segunda-feira era cotada a 1,8475 real.

Na BM&FBovespa, porém, as projeções de juros recuavam, com o DI janeiro de 2013 a 10,34 por cento, ante 10,46 por cento no ajuste de sexta-feira.

“(A queda dos juros futuros) significa que não estão ligando muito para o Focus”, disse o economista-chefe da Sul America Investimentos, Newton Rosa. “Isso não joga um papel muito importante nas decisões do BC nesse momento. Acho que isso já está na conta. Ele está olhando 2012”, completou.

A projeção do ano que vem, segundo o Focus, foi revista pela quarta vez seguida, de 5,50 para 5,52 por cento.

O estrategista-chefe da corretora CM Capital Markets, Luciano Rostagno, tem opinião semelhante. “Definitivamente não é um fator positivo para o combate à inflação. Mas tudo indica que o Banco Central não está dando muito peso nas suas decisões para as expectativas de inflação do mercado.”

A estimativa para o IPCA nos próximos 12 meses subiu de 5,71 para 5,76 por cento.

PIB

O prognóstico para a alta do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011 caiu pela oitava vez, passando de 3,52 por cento para 3,51 por cento, enquanto o de 2012 se manteve estável a 3,70 por cento.

A estimativa para a Selic neste ano permaneceu em 11 por cento, e para o ano que vem continuou em 10,75 por cento.

Segundo o Focus, a previsão para a taxa de câmbio no final deste ano passou de 1,65 real por dólar para 1,68 real. A projeção no final de 2012 foi elevada de 1,65 a 1,68 real.

*Reuters

.