Israel intensifica repressão contra Hamas após sequestro de três jovens

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O governo israelense intensificou nesta segunda-feira sua repressão contra o movimento islamita Hamas na Cisjordânia pelo sequestro de três adolescentes israelenses, e disse esperar a ajuda da Autoridade Palestina para encontrá-los.

“Espero poder contar com sua ajuda para encontrar os adolescentes sequestrados. Os sequestradores vêm de uma zona controlada pela Autoridade Palestina e voltaram para lá”, disse o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ao presidente palestino Mahmud Abbas por telefone.

Trata-se do primeiro contato direto entre os dois líderes desde 2012.

Por sua vez, Abbas denunciou o sequestro, que ocorreu no sul da Cisjordânia ocupada, e também as “violações israelenses que se seguiram”.

Os três adolescentes, identificados como Eyal Yifrach, de 19 anos, Naftali Frenkel e Gilad Shaer, ambos de 16, foram sequestrados, segundo a imprensa israelense, perto de Gush Etzion, um bloco de colônias situado entre as cidades palestinas de Belém e Hebron, e em uma zona sob controle civil e militar israelense.

O governo palestino lembrou que não tem competência nas zonas da Cisjordânia ocupadas por colônias israelenses.

Para tentar encontrar os adolescentes, o exército israelense lançou sua operação mais importante na Cisjordânia desde o fim da segunda intifada, em 2005. O Egito pediu nesta segunda-feira o máximo de moderação possível a Israel.

Israel, que acusa o Hamas dos sequestros, deteve quarenta membros do movimento islamita palestino, entre eles o presidente do Parlamento palestino, Aziz Dweik, e outros cinco deputados do Hamas. Todos foram detidos na madrugada de domingo, segundo várias fontes.

Dweik já havia sido alvo de uma detenção administrativa – ou seja, sem acusação ou julgamento – por parte de Israel entre janeiro e julho de 2012.

 

Situação tensa

 

Desde quinta-feira, o dia do sequestro dos três israelenses, 150 palestinos foram detidos, segundo o exército israelense, e nesta segunda-feira ocorreram novas detenções, declarou à AFP Amani Sarahna, porta-voz do clube dos prisioneiros palestinos.

A situação continua sendo tensa e nesta segunda-feira um jovem palestino morreu baleado durante confrontos com soldados israelenses no campo de refugiados de Jalazun, perto de Ramallah, segundo fontes médicas e de segurança palestinas.

Na noite de domingo vários soldados israelenses cercaram uma casa de um bairro palestino de Hebrón e pediram que seus moradores se rendessem lançando um foguete antitanque contra a porta, segundo testemunhas. Duas pessoas ficaram feridas, entre elas uma criança, e três foram detidas.

Durante a noite a aviação israelense bombardeou zonas de atividade terrorista e três supostos depósitos de armas na Faixa de Gaza após o lançamento de dois foguetes contra o sul de Israel, indicou o exército. Os foguetes foram interceptados pelo sistema de defesa antimísseis Iron Dome.

O gabinete de segurança israelense, que inclui os principais ministros, se reunirá nesta segunda-feira para decidir novas medidas contra o Hamas, segundo a imprensa local.

Israel denuncia há meses a aliança entre o Hamas e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), dirigida por Mahmud Abbas, desde o acordo de reconciliação entre ambos assinado no dia 23 de abril.

Este acordo permitiu a criação no dia 2 de junho de um governo de união palestino com o apoio do Hamas, mas composto por personalidades independentes.

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