Cerca de 70% dos tunisianos vota em eleição histórica*

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Oficiais dizem que cerca de 70% dos eleitores tunisianos foram às urnas em todo o país para escolher novos representantes, na primeira eleição livre desde o início da Primavera Árabe.

Os eleitores escolherão uma assembleia com 217 assentos que redigirá uma nova constituição e nomeará um presidente interino.

O ex-presidente Zinedine el Abidine Ben Ali, que esteve no poder por 23 anos, foi deposto há nove meses, após protestos em todo o país.

O partido islâmico moderado Ennahda deve receber grande parte dos votos, mas ainda não está claro se será o suficiente para alcançar uma maioria.

A campanha foi marcada por preocupações a respeito de divisões entre islamistas e secularistas, financiamentos políticos e a apatia dos eleitores, mas conforme o dia da votação se aproximava, um clima de otimismo teria se espalhado pelo país, segundo correspondentes da BBC.

“A média nacional (de comparecimento às urnas) está se aproximando de 70%”, disse Kamel Jendoubi, chefe da organização independente que supervisiona as eleições.

Ele disse que, em alguns distritos, o índice de comparecimento de eleitores chegou a 80%.

Alguns dos postos tiveram que permanecer abertos depois das 19h (no horário local) – hora prevista para o encerramento da votação – para permitir a entrada das pessoas, que se agrupavam em filas.

Os resultados da eleição devem ser divulgados na próxima segunda-feira.

 

Otimismo

O correspondente da BBC em Túnis, Alan Little, diz que os eleitores esperaram em filas durante horas para votar.

Um dos eleitores disse ao repórter que, apesar de estarem sofrendo sob o sol, era “um tipo bonito de sofrimento.

Perguntado sobre quem ele acreditava que venceria as eleições, outro homem disse: “Todos vamos vencer. Esta é uma eleição livre. Isso quer dizer que nós já ganhamos”.

Muitas pessoas saíram dos postos de votação mostrando orgulhosamente seus dedos indicadores manchados de azul, como prova de que haviam votado.

Partido islâmico moderado deve obter a maior parte dos votos na Tunísia

Segundo Alan Little, os tunisianos sabem que o momento democrático no país cria grandes expectativas em todo o mundo árabe.

No entanto, ele diz que há um grande otimismo na população.

Ao contrário da vizinha Líbia, a transição de um regime autoritário para um democrático na Tunísia vem acontecendo de forma pacífica.

 

‘Dia histórico’

O partido islâmico moderado Ennahda vem tentando amenizar as preocupações dos secularistas declarando seu comprometimento com a democracia e os direitos das mulheres.

Seu maior rival deve ser o secularista Partido Democrático Progressista (PDP).

Segundo o correspondente da BBC, seus opositores tentaram mostrar os islâmicos do Ennahda como extremistas, mas a campanha parece não ter funcionado.

O líder do partido, Rachid Ghannouchi, foi provocado por um grupo de manifestantes secularistas ao deixar seu posto de votação em Túnis.

Os manifestantes o chamaram de terrorista e assassino e disseram que ele deveria voltar para Londres, onde passou 22 anos no exílio antes de retornar para a Tunísia em abril.

Mas Ghannouchi elogiou o processo eleitoral e disse que este domingo é “um dia histórico”.

“Túnis nasceu de novo hoje, a Primavera Árabe nasceu de novo hoje. Não no aspecto negativo de derrubar ditadores, mas no aspecto positivo de construir sistemas democráticos, um sistema representativo que represente as pessoas”, disse.

Há sete milhões de pessoas em idade eleitoral na Tunísia e mais de cem partidos se registraram para participar das eleições deste domingo, assim como candidatos independentes.

O ex-líder Ben Ali fugiu para a Arábia Saudita no dia 14 de janeiro, em meio a uma série de revoltas populares, após 23 anos no poder.

Desde então, a economia do país vem sofrendo com a queda no turismo e nos negócios.

*BBC Brasil

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